O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho histórico no trimestre encerrado em agosto de 2026. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego recuou para 5,3%. Este índice representa o menor patamar já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012.
O cenário de otimismo é corroborado por recordes em diversos indicadores fundamentais da economia nacional. Além da queda na desocupação, o país alcançou níveis inéditos de trabalhadores ocupados, contratações com carteira assinada, massa salarial e contribuições para a Previdência Social, consolidando uma trajetória de recuperação observada desde o trimestre móvel anterior, quando o desemprego estava em 5,6%.
Recordes de ocupação e força industrial
A população ocupada no Brasil atingiu a marca de 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente já contabilizado pelo IBGE. Esse crescimento de 0,8% em relação ao trimestre encerrado em maio reflete a entrada de 774 mil novos trabalhadores no mercado. O impulso principal veio de setores estratégicos, com destaque para a indústria geral, que registrou alta de 2%, e a construção civil, que expandiu 4,1% no período.
O setor privado também demonstrou solidez ao atingir 39,5 milhões de empregados com carteira assinada, um recorde absoluto. Em contrapartida, a população desocupada caiu para 5,8 milhões, uma redução de 4,6% frente aos meses anteriores. Enquanto isso, o contingente de desalentados — pessoas que desistiram de buscar uma vaga — manteve-se estável em 2,4 milhões, apresentando queda de 11,9% na comparação anual.
Dinâmica da massa salarial e informalidade
O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro situou-se em R$ 3.777, mantendo-se próximo ao pico histórico de R$ 3.783 registrado no início de 2026. Esse movimento impulsionou a massa salarial para R$ 385,6 bilhões, o maior valor da série histórica, com um incremento de R$ 5,2 bilhões apenas no último trimestre. Esse montante é um indicador vital para o consumo das famílias e a movimentação da economia interna.
Apesar dos avanços, a informalidade ainda compõe uma parcela significativa do mercado, atingindo 37,5% da população ocupada, o que equivale a 38,8 milhões de pessoas. O IBGE classifica nesta categoria trabalhadores sem registro formal, autônomos e empregadores sem CNPJ, que, por sua natureza, carecem de garantias trabalhistas como férias, 13º salário e seguro-desemprego.
Proteção social e previdenciária em alta
Um dos reflexos positivos do aumento da ocupação formal é o recorde de contribuintes para institutos de previdência, que chegou a 68,5 milhões de brasileiros. Atualmente, a cada 100 trabalhadores, 66,2 contribuem para o sistema oficial, garantindo acesso a benefícios como aposentadoria, pensão por morte e auxílio por incapacidade. A métrica engloba tanto o INSS quanto regimes próprios de estados e municípios.
A Pnad Contínua, que monitora pessoas com 14 anos ou mais, é realizada por meio de visitas a 211 mil domicílios em todo o território nacional. Comparando com o histórico recente, o resultado de 5,3% aproxima-se do recorde de mínima da série, que foi de 5,1% no último trimestre de 2025, distanciando-se significativamente dos picos de 14,9% registrados durante a crise sanitária da covid-19.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


