Com o foco voltado para a reta final do segundo turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu a Baixada Fluminense como o principal campo de batalha no estado do Rio de Janeiro. A movimentação busca reverter a vantagem consolidada pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que obteve vitórias expressivas em todos os municípios da região durante a primeira etapa do pleito.
A importância estratégica da área reside no seu expressivo peso demográfico. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), quatro dos dez maiores colégios eleitorais do estado estão situados na Baixada: Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo e São João de Meriti. A coordenação da campanha petista avalia que a presença física do presidente é fundamental para reverter o quadro atual.
Peso eleitoral e o desafio da Baixada Fluminense
A urgência da ofensiva petista é justificada pelos números registrados nas urnas. Em Duque de Caxias, que conta com 635.079 eleitores aptos, Flávio Bolsonaro alcançou 55,81% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 37,26%. Em Nova Iguaçu, com 615.377 eleitores, o candidato do PL ampliou a margem, atingindo 59,45% contra 33,68% do atual presidente.
Cenários semelhantes foram observados em Belford Roxo e São João de Meriti. Em Belford Roxo, o candidato do PL somou 57,26% dos sufrágios, ante 36,32% de Lula. Já em São João de Meriti, a preferência pelo republicano foi de 56,48%, enquanto o petista registrou 36,75%. Esses resultados consolidaram a necessidade de uma mudança tática imediata pela coordenação da campanha.
Articulação política e investimentos federais
A estratégia de Lula envolve colar sua imagem aos investimentos federais realizados na região. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), aliado do presidente, revelou que tem sido cobrado pelo petista para ampliar as visitas ao território. Segundo Paes, o presidente manifestou o desejo de retornar à região desde o fim do primeiro turno, destacando que cerca de 20 bilhões de reais foram destinados a obras na área.
Durante a primeira fase da corrida eleitoral, a atuação de Lula na Baixada foi limitada. Sua única passagem por Nova Iguaçu teve caráter institucional, acompanhado pelo ministro dos Transportes, George Santoro, para vistoriar as obras de modernização da Rodovia Presidente Dutra (BR-116). Agora, a ordem é transformar essa vitrine de obras em capital político para o segundo turno.
Expectativa por novos atos de campanha
Embora a equipe de campanha ainda não tenha oficializado datas ou formatos, o próprio presidente confirmou a intenção de realizar um grande evento na Baixada. A expectativa é que, com a intensificação da presença de Lula, a campanha consiga dialogar diretamente com o eleitorado local e reverter o descompasso observado nas urnas.



