Os juros altos consolidaram-se como o maior obstáculo para a indústria brasileira na obtenção de crédito, conforme aponta a Sondagem Especial 107 divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, realizado entre 3 e 12 de agosto de 2026, ouviu 1.701 empresas de diversos portes sobre as condições de financiamento enfrentadas no primeiro semestre do ano.
Entre as companhias que relataram dificuldades para acessar recursos de curto e médio prazo, 76% apontaram as taxas elevadas como a barreira principal. Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o custo do dinheiro foi citado por 69% dos empresários, evidenciando um cenário de restrição financeira persistente para o setor produtivo.
Impacto das taxas e barreiras operacionais
Embora os juros ainda liderem o ranking de dificuldades, houve uma leve melhora em comparação aos dados de 2025, quando 80% das empresas apontavam o custo do crédito como entrave no curto prazo. Segundo Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, a queda da taxa básica de juros demora a ser repassada integralmente ao custo final do crédito, mantendo o acesso caro para as indústrias.
Além dos juros, a burocracia e as exigências de garantias reais compõem o cenário de dificuldades. Nas operações de curto e médio prazo, 33,4% das empresas destacaram a necessidade de garantias como um impeditivo. Já no longo prazo, a falta de prazos de carência adequados foi mencionada por 18,9% dos gestores, dificultando o planejamento de investimentos estruturais.
Frustração na busca por financiamento
A pesquisa revela que a taxa de insucesso na contratação ou renovação de crédito aumentou em relação ao ano anterior. Entre as empresas que buscaram recursos, 24,7% não obtiveram êxito em operações de curto e médio prazo, enquanto no longo prazo esse índice atingiu 37,2%. As pequenas empresas foram as mais afetadas, com quase metade delas (48,2%) enfrentando negativas em solicitações de longo prazo.
O destino dos recursos também revela uma distorção preocupante na gestão financeira das indústrias. Quase 30% das empresas que acessaram linhas de longo prazo utilizaram o capital para despesas de rotina, como capital de giro, superando o percentual destinado a investimentos em máquinas e equipamentos, que ficou em 23,6%. Esse comportamento indica uma tentativa de sobrevivência operacional em detrimento da expansão produtiva.
Caminhos para a desoneração do setor
Para reverter o quadro de restrição, o setor industrial aponta a redução de custos tributários e administrativos como a medida mais eficaz para facilitar o acesso ao crédito. Essa alternativa foi a preferida por 38,4% dos entrevistados para operações de curto prazo e por 31,2% para financiamentos de longo prazo. A busca por um ambiente de negócios menos oneroso segue como pauta central para a retomada do investimento industrial no Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



