Aumentar os investimentos em saúde de forma direcionada e eficiente pode prevenir 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050. Além do impacto direto na preservação de vidas, a estratégia tem potencial para incrementar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em mais de R$ 1 trilhão nas próximas décadas. Os dados integram o recorte brasileiro do relatório A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, elaborado pelo McKinsey Health Institute’s.
O estudo, apresentado durante um encontro de jornalistas em San José, na Costa Rica, defende que os recursos destinados ao setor devem ser encarados como um motor de desenvolvimento econômico e competitividade. Segundo Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, o desafio não reside apenas no volume de capital investido, mas na precisão das intervenções. A recomendação central é priorizar ações baseadas em evidências científicas que apresentem a melhor relação entre custo e benefício.
Impacto econômico e longevidade da população
As projeções indicam que, com a aplicação correta de cerca de 300 intervenções de saúde, a expectativa de vida dos brasileiros pode subir 5 anos, atingindo a marca de 85 anos. Mais do que viver mais, o estudo aponta que a população ganharia 9 anos adicionais de vida com boa saúde em comparação às estimativas atuais. O retorno financeiro é igualmente expressivo: para cada 1 dólar investido em ações eficazes, espera-se que 2,1 dólares sejam adicionados ao PIB.
Esse crescimento econômico é impulsionado pelo aumento da produtividade geral e pela redução do absenteísmo. Ao evitar doenças precoces, o país preserva o potencial de desenvolvimento das crianças e reduz a carga sobre os responsáveis, que frequentemente precisam equilibrar jornadas de trabalho com o cuidado de familiares enfermos ou incapacitados. A pesquisa reforça que a saúde é um pilar fundamental para a estabilidade social e o progresso do país.
Estratégias de prevenção e políticas fiscais
O relatório destaca que 59% do impacto positivo esperado provém de ações preventivas, muitas das quais ocorrem fora do ambiente hospitalar. Entre as medidas com maior peso estão as políticas fiscais, como a taxação de produtos prejudiciais à saúde, incluindo álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados. O objetivo é desestimular o consumo dessas substâncias, que estão diretamente ligadas ao aumento do risco de doenças crônicas.
Além das políticas tributárias, o estudo aponta a necessidade de fortalecer o monitoramento de condições cardiovasculares, como a hipertensão, e o combate à obesidade por meio de dietas, exercícios e acesso a medicamentos. No campo terapêutico, o foco recai sobre o tratamento oncológico, a oferta de fármacos psiquiátricos e a modernização de insumos médicos. A universalização do acesso a tratamentos básicos, como o controle do colesterol, é citada como uma medida de baixo custo e alto impacto imediato.
Redução de doenças e disparidade regional
A análise projeta uma queda significativa nos anos de vida perdidos por incapacidade ou morte prematura. Até 2050, espera-se uma redução de 46% nos impactos causados por doenças respiratórias crônicas e transtornos de saúde mental. Outras áreas, como doenças cardiovasculares, diabetes e problemas renais, também apresentam potencial de queda superior a 35%, demonstrando a eficácia de uma abordagem integrada.
O cenário na América Latina, contudo, revela desafios estruturais. Atualmente, os países da região investem, em média, 3,7% de seus PIB’s em saúde, um índice consideravelmente inferior aos 7,9% observados em nações de alta renda. O relatório, que pode ser consultado na íntegra através da Agência Brasil, sublinha a urgência de alinhar os investimentos regionais aos padrões globais para garantir um futuro mais saudável e próspero.


