Big techs descumprem normas eleitorais durante o primeiro turno das eleições de 2026

Estudo do NetLab aponta que big techs descumpriram regras do TSE com anúncios e recomendações irregulares durante o primeiro turno das eleições 2026.
Big techs descumprem normas eleitorais durante o primeiro turno das eleições de 2026
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O primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4), foi marcado por falhas no cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por parte das grandes empresas de tecnologia. Um levantamento conduzido pelo Observatório das Big Techs, vinculado ao NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou a persistência de anúncios político-eleitorais e recomendações de conteúdos de candidatos em diversas plataformas, contrariando o período de vedação legal.

As normas vigentes determinam que a circulação de propaganda paga ou impulsionada na internet deve ser interrompida 48 horas antes do pleito, estendendo-se até 24 horas após o encerramento da votação. Além da publicidade, as plataformas com sistemas de recomendação deveriam ter excluído perfis e canais de candidatos de seus mecanismos de sugestão automática para evitar o favorecimento indevido durante o período crítico de escolha dos eleitores.

Irregularidades na publicidade e desinformação digital

A Meta foi a plataforma com o maior volume de inconsistências identificadas, totalizando 568 anúncios veiculados de forma irregular em seus serviços, que incluem Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Audience Network. O cenário foi agravado pela detecção de seis peças publicitárias que simulavam comunicações oficiais do TSE, induzindo usuários ao erro com a falsa promessa de votação remota via celular ou computador.

Esses anúncios fraudulentos utilizavam elementos visuais da Justiça Eleitoral e exploravam situações como problemas de saúde ou condições climáticas adversas para coletar dados sensíveis, como o CPF dos eleitores. Paralelamente, o Kwai apresentou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação, enquanto o Google manteve uma peça publicitária irregular que já havia sido identificada anteriormente pelo laboratório.

Falhas nos sistemas de recomendação e transparência

Além da publicidade paga, o monitoramento focou na atuação dos algoritmos de recomendação do TikTok e do YouTube. Entre os dias 3 e 4 de outubro, o TikTok sugeriu 18 vídeos de sete candidatos, enquanto o YouTube recomendou 17 vídeos de seis postulantes a cargos públicos. O Instagram, por outro lado, não apresentou recomendações de conteúdos de candidatos no período analisado.

O NetLab aponta que a falta de transparência das empresas dificulta a fiscalização. Em plataformas como a Meta e o Kwai, foram encontradas divergências significativas entre os dados exibidos nas bibliotecas de anúncios e as informações obtidas via ferramentas de programação (API). Essa opacidade técnica impede que pesquisadores e autoridades verifiquem a real extensão das violações às regras eleitorais.

Posicionamento das plataformas sobre o pleito

Em resposta ao estudo, as empresas reafirmaram seu compromisso com a integridade do processo democrático. A Meta declarou que atua em conformidade com a legislação e que a amostragem do relatório não reflete a escala de seu trabalho. O Kwai informou que manteve equipes dedicadas à moderação e que restringiu novos criativos desde o dia 1º de outubro. O TikTok destacou a remoção de quase 350 mil vídeos por violações de políticas cívicas, enquanto o Google defendeu a eficácia de suas medidas, ressaltando que apenas um anúncio foi identificado em sua rede.

Para mais detalhes sobre a metodologia e os dados coletados, acesse o relatório completo da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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