Doenças respiratórias atingem patamar crítico na Baixada Fluminense e Zona Oeste

Estudo aponta que 60% das internações por doenças respiratórias no Rio de Janeiro ocorrem na Baixada Fluminense e Zona Oeste devido à poluição.
Doenças respiratórias atingem patamar crítico na Baixada Fluminense e Zona Oeste
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A exposição constante a poluentes atmosféricos, somada à deficiência crônica na rede de atendimento básico, consolidou um cenário alarmante para a saúde pública no Rio de Janeiro. Moradores da Zona Oeste da capital e de diversos municípios da Baixada Fluminense enfrentam, atualmente, um risco significativamente maior de desenvolver complicações respiratórias graves em comparação com outras regiões do estado.

O fenômeno está diretamente ligado à concentração de polos siderúrgicos, complexos petroquímicos e grandes eixos logísticos nessas áreas. A emissão contínua de resíduos industriais e a má qualidade do ar criaram um gargalo sanitário que sobrecarrega as unidades de pronto atendimento e os leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Impacto das doenças respiratórias no sistema hospitalar

Dados recentes do Mapa da Desigualdade 2026, elaborado pela organização Casa Fluminense, quantificam a dimensão dessa crise. O relatório aponta que, das 43.724 internações hospitalares registradas no estado por condições como asma, bronquite e pneumonia no último ano, 60% ocorreram em pacientes residentes na Baixada Fluminense e em bairros específicos da Zona Oeste, como Santa Cruz.

A alta incidência dessas patologias reflete não apenas a poluição ambiental, mas a fragilidade do sistema de saúde local. A ausência de um acompanhamento preventivo eficaz impede que quadros leves sejam tratados precocemente, forçando a população a buscar auxílio apenas quando a doença atinge um estágio de maior complexidade.

Desassistência na atenção primária e riscos sociais

A falta de cobertura da Estratégia Saúde da Família é um dos principais fatores que agravam o quadro clínico dos moradores. Em Queimados, por exemplo, 52% da população está desassistida pela rede básica do SUS. A situação é acompanhada de perto por Duque de Caxias e Nova Iguaçu, municípios onde 43% dos habitantes não possuem acesso adequado ao atendimento primário.

Além da crise sanitária, o estudo expõe abismos estruturais que perpetuam a desigualdade na Região Metropolitana. O relatório destaca que mais de 70% das 741 mortes decorrentes de intervenções de agentes de segurança pública no ano anterior envolveram pessoas negras. Somado a isso, a disparidade salarial entre brancos e negros na região cresceu 62,5% em um intervalo de cinco anos.

Infraestrutura urbana e vulnerabilidade ambiental

A precariedade da infraestrutura urbana nas cidades da Baixada Fluminense também atua como um vetor de doenças. A escassez de áreas verdes, notável em municípios como São João de Meriti e Belford Roxo, reduz a capacidade de mitigação dos poluentes e piora a qualidade de vida dos residentes.

O levantamento aponta ainda que milhares de famílias permanecem expostas a riscos ambientais constantes. A carência de saneamento básico e a vulnerabilidade a inundações, alagamentos e deslizamentos de terra compõem um cenário de exclusão que exige políticas públicas integradas para reverter o quadro de desigualdade regional.

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