Câncer de mama em homens: diagnóstico tardio eleva riscos e exige atenção

Homens costumam descobrir o câncer de mama em estágios avançados. Entenda os riscos, sintomas e a importância do diagnóstico precoce.
Câncer de mama em homens: diagnóstico tardio eleva riscos e exige atenção
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Embora o câncer de mama seja amplamente associado ao público feminino, a doença também afeta homens e, frequentemente, é identificada em estágios mais avançados. O alerta, reforçado pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) durante o Outubro Rosa, destaca que o desconhecimento sobre a possibilidade de desenvolvimento da patologia masculina contribui para o atraso na busca por auxílio médico especializado.

Desafios no diagnóstico e estadiamento da doença

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), analisados pela SBRT, revelam que entre 2020 e 2023 foram registrados mais de 163 mil casos de câncer de mama, sendo 2.126 em pacientes do sexo masculino. A análise do estadiamento, que classifica a extensão do tumor, aponta que 62,29% dos homens diagnosticados estavam nos estágios III ou IV, considerados quadros mais avançados da enfermidade.

A metástase, característica marcante do estágio IV, foi identificada em 29,95% dos homens, superando a taxa de 26,42% observada entre mulheres. Segundo a rádio-oncologista Denise Ferreira, a anatomia masculina, que possui menor volume de tecido mamário, facilita que o tumor atinja estruturas adjacentes, como pele e músculos, mesmo quando a lesão ainda é pequena.

Sinais de alerta e fatores de risco

A falta de percepção sobre os sintomas é um dos principais obstáculos para a detecção precoce. Especialistas orientam que a presença de caroços, alterações visíveis no mamilo ou a ocorrência de secreções, especialmente com presença de sangue, devem ser investigadas imediatamente por um profissional de saúde.

Embora o câncer de mama masculino represente menos de 1% do total de casos da doença, fatores de risco específicos devem ser monitorados. Entre os elementos que podem elevar a probabilidade de desenvolvimento do tumor estão:

  • Mutações genéticas hereditárias
  • Histórico familiar de câncer
  • Obesidade
  • Alterações hormonais

Estratégias de tratamento e sobrevida

O tratamento do câncer de mama em homens segue protocolos semelhantes aos aplicados em mulheres, com a cirurgia figurando como a principal intervenção em casos localizados. A terapia pode ser complementada por radioterapia, quimioterapia ou tratamentos hormonais, dependendo das características biológicas do tumor.

O prognóstico é diretamente influenciado pela precocidade do diagnóstico. De acordo com a SBRT, a sobrevida relativa em cinco anos para homens com câncer de mama supera 80% na média geral, podendo ultrapassar 95% quando a doença é detectada ainda restrita à mama. A modernização das técnicas de radioterapia tem permitido, inclusive, maior precisão no combate às células tumorais com preservação dos tecidos saudáveis.

Monitoramento e prevenção em mulheres

O cenário oncológico também exige atenção entre o público feminino, especialmente em faixas etárias mais jovens. Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) indicou que, entre mulheres com até 39 anos, a maioria dos diagnósticos ocorre em estágios II, III ou IV. A recomendação médica, conforme detalhado pela Agência Brasil, é o rastreamento por mamografia a partir dos 40 anos para a população de risco habitual, com acompanhamento individualizado para casos com histórico familiar ou genético.

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