Auditoria revela desvios de R$ 400 milhões na Cedae Saúde após varredura estatal

Auditoria aponta desvios de R$ 400 milhões na Cedae Saúde. Esquema envolvia offshore e pagamentos indevidos. Confira os detalhes da investigação.
Auditoria revela desvios de R$ 400 milhões na Cedae Saúde após varredura estatal
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Uma auditoria minuciosa realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro identificou indícios de graves irregularidades financeiras e desvios que ultrapassam a marca de R$ 400 milhões na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde). O levantamento, conduzido pela consultoria Grant Thornton com o suporte do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da própria Cedae, revelou um esquema estruturado de pagamentos indevidos e favorecimento de empresas ligadas à antiga cúpula da entidade.

Os resultados da investigação, que abrange o período da gestão de Cláudio Castro, serão encaminhados ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O objetivo é aprofundar as apurações criminais e viabilizar medidas judiciais para o ressarcimento integral dos valores aos cofres públicos.

Apagamento de dados e conexões com paraísos fiscais

A devassa nas contas da instituição foi instaurada em cumprimento ao Decreto 50.254/26, assinado pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que determinou uma auditoria ampla em contratos de secretarias e estatais fluminenses. O processo ganhou urgência após a exoneração de Eric Frederik Gualberto, ex-presidente da Cedae Saúde, em 23 de junho de 2026.

Ao assumir o controle, a nova administração constatou o apagamento sistemático de arquivos contábeis e registros de fornecedores referentes ao período entre dezembro de 2023 e abril de 2026. Apesar da tentativa de ocultação, a equipe de auditoria recuperou os dados digitais, revelando que quatro empresas integrantes de uma estrutura offshore mantida por Eric Frederik Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas receberam cerca de R$ 95 milhões da Cedae Saúde durante sua gestão.

Redução drástica nos custos operacionais

O relatório de auditoria, registrado sob o número SEI-150017/009333/2026, aponta uma discrepância acentuada nos repasses efetuados pela antiga Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da Cedae. A investigação confirmou que os aportes mensais superavam significativamente o custo real das operações necessárias para a manutenção da assistência médica.

Anteriormente, a transferência média mensal alcançava a marca de R$ 20 milhões. Com a revisão contratual e a interrupção das irregularidades pela atual gestão, o valor necessário para manter as operações caiu para aproximadamente R$ 6 milhões mensais. Essa reestruturação resultou em uma economia de 70% nos repasses públicos, evidenciando o sobrepreço que sustentava o esquema identificado.

Impacto na assistência aos servidores

Fundada em 1988, a Cedae Saúde atua como um pilar estratégico para cerca de 17 mil beneficiários, incluindo funcionários ativos, aposentados, pensionistas e dependentes da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. A entidade é responsável pela gestão de serviços essenciais, como Medicina Ocupacional, Segurança do Trabalho e a distribuição contínua de medicamentos de uso crônico.

Para mais detalhes sobre as normas de transparência pública no estado, consulte o portal oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A continuidade das investigações promete esclarecer a extensão total das responsabilidades sobre os danos causados à autarquia e aos seus associados.

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