O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de forte aversão ao risco nesta quinta-feira (24). O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,193, registrando uma alta de 0,47% e atingindo o patamar mais elevado desde o final de agosto. O movimento reflete um cenário de incertezas externas, marcado pela valorização dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela escalada nos preços do petróleo.
No cenário doméstico, o Ibovespa acompanhou o pessimismo global e fechou o dia em 183.965,91 pontos, uma queda de 0,99%. A cautela dos investidores foi amplificada pela divulgação de novas projeções econômicas pelo Banco Central e pela análise do cenário fiscal brasileiro, que permanece sob monitoramento constante do mercado.
Dólar avança sob pressão dos juros americanos
A valorização da moeda norte-americana seguiu a tendência observada no exterior, onde o índice DXY subiu 0,14%. A alta foi impulsionada pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos, os Treasuries, que atingiram patamares acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Esse movimento atrai capital para ativos considerados mais seguros, retirando liquidez de mercados emergentes como o Brasil.
Para conter a volatilidade, o Banco Central interveio no mercado de câmbio realizando a venda de US$ 1 bilhão por meio de dois leilões de linha simultâneos. A estratégia visa aumentar a oferta de moeda estrangeira e garantir a liquidez necessária para o funcionamento das operações financeiras, em um momento em que o fluxo cambial brasileiro acumula saldo negativo no mês de setembro.
Impacto das projeções fiscais e econômicas
Além das pressões externas, o mercado reagiu aos ajustes nas contas públicas. O governo revisou a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, mas elevou a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões. Paralelamente, o Banco Central reduziu a estimativa de crescimento do PIB para 1,8% em 2026, conforme detalhado em relatório oficial.
Alta do petróleo e incertezas geopolíticas
O mercado de commodities também contribuiu para o clima de tensão. O petróleo tipo Brent subiu 3,41%, sendo cotado a US$ 106,60, enquanto o tipo WTI avançou 2,65%, chegando a US$ 94,61. A alta é motivada pelas incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã e pelo risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global da energia.
A persistência de preços elevados no petróleo acende um alerta sobre a inflação global. O encarecimento dos combustíveis pressiona as expectativas de juros em diversas economias, complicando a tarefa dos bancos centrais em controlar a escalada de preços sem comprometer o crescimento econômico.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



