Brasil atinge recorde histórico de 35% de empreendedores formalizados com CNPJ

Brasil atinge recorde de 35% de empreendedores com CNPJ em 2025. Dados do IBGE mostram avanço na formalização e estabilidade na sindicalização.
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O cenário do empreendedorismo no Brasil alcançou um marco inédito em 2025. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, 35% dos empreendedores brasileiros possuem registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O índice representa 10,7 milhões de pessoas e configura a maior proporção já registrada desde o início da série histórica, em 2012.

Crescimento da formalização e o papel da escolaridade

A trajetória de formalização demonstra um avanço constante ao longo da última década. Em 2012, apenas 24% dos empreendedores detinham CNPJ, número que subiu para 33,6% em 2024 antes de atingir o patamar atual. O registro formal oferece vantagens estratégicas, como a capacidade de emitir notas fiscais, acesso facilitado a crédito bancário, contratação de funcionários e garantia de benefícios previdenciários.

Apesar do recorde, o analista da pesquisa, William Kratochwill, ressalta que o nível de instrução é o principal determinante para a formalização. Pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior (50,8%) possuem CNPJ. Em contrapartida, trabalhadores com menor nível de escolaridade apresentam taxas significativamente inferiores, evidenciando uma disparidade que programas de desburocratização, como o MEI, buscam mitigar.

Dinâmica entre empregadores e trabalhadores por conta própria

O IBGE segmenta os empreendedores entre empregadores e trabalhadores por conta própria. Entre os empregadores, a formalização é alta e estável, mantendo-se acima de 80% desde 2019. Já no grupo dos trabalhadores por conta própria, o índice de 27,1% representa o maior patamar da série histórica, contrastando com os 15% observados em 2012.

A distribuição por setores econômicos revela que o comércio e a reparação de veículos lideram a formalização, com 36,7%, seguidos pelos serviços (33,5%). Setores como a indústria (22,8%), construção (14,8%) e agricultura (6,5%) ainda apresentam taxas de formalização abaixo da média nacional, refletindo as particularidades operacionais de cada segmento.

Estabilidade na sindicalização após anos de queda

A pesquisa também analisou a taxa de sindicalização no país, que apresentou estabilidade em 2025, situando-se em 8,8%. O número corresponde a 9,1 milhões de trabalhadores. Após um declínio acentuado iniciado em 2017 — ano marcado pela reforma trabalhista e pelo fim da contribuição sindical obrigatória — o índice parece ter interrompido a trajetória de queda que persistiu até 2023.

Segundo William Kratochwill, a baixa adesão é particularmente notável entre os jovens, enquanto trabalhadores acima dos 40 anos têm se afastado das entidades. O pesquisador aponta que a percepção de inadequação dos serviços oferecidos pelos sindicatos às necessidades atuais dos trabalhadores pode ser um fator determinante para esse comportamento. Mais detalhes sobre a metodologia e os indicadores podem ser consultados diretamente no portal do IBGE.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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