A longevidade não é um impeditivo para o gesto de salvar vidas através da doação de órgãos em vida. O caso de Arivaldo Sampaio, que aos 69 anos doou um rim para o filho, ilustra que a aptidão para o procedimento depende de uma avaliação clínica rigorosa, e não apenas do critério cronológico. A história de sucesso, acompanhada pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB), reforça que o cuidado preventivo ao longo da vida permite que idosos mantenham condições ideais para atuar como doadores.
Critérios médicos e a segurança do doador vivo
A avaliação para doadores vivos é conduzida com foco na proteção integral de quem oferece o órgão. O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do HUB, explica que o processo envolve uma investigação minuciosa, incluindo exames cardiovasculares, de sangue e de função renal. O objetivo é assegurar que o doador, sendo uma pessoa saudável, não sofra impactos negativos em sua qualidade de vida futura.
Embora o envelhecimento natural possa trazer condições como hipertensão ou diabetes — que exigem uma análise mais cautelosa —, a idade avançada não exclui automaticamente o voluntário. Quando o indivíduo apresenta um estado de saúde preservado e função renal adequada, a doação é considerada segura e viável pela equipe médica.
Legislação e o impacto no sistema de transplantes
O Brasil possui um arcabouço legal que regulamenta a doação entre vivos para garantir transparência e ética. A legislação permite a doação direta entre parentes de até o quarto grau e cônjuges, sem a necessidade de intervenção judicial. Para casos fora desse círculo familiar, o processo exige autorização específica do judiciário, assegurando que o ato seja estritamente altruísta.
O Sistema Nacional de Transplantes aponta que, em 2025, o país atingiu a marca de 4.335 doadores efetivos, a maior taxa da série histórica. Apesar do avanço, a demanda ainda é expressiva, com cerca de 49,4 mil brasileiros aguardando na fila por um transplante, o que torna a conscientização sobre a doação em vida um pilar essencial para a saúde pública.
Qualidade de vida após a doação
A experiência de doadores como Arivaldo demonstra que é possível manter uma rotina ativa e saudável após a cirurgia. Três anos após o procedimento, ele mantém a prática regular de exercícios físicos, como corrida e musculação, sob acompanhamento médico anual. O sucesso do transplante, que permitiu ao filho retomar a função renal imediatamente, destaca a importância da avaliação qualificada e da empatia no atendimento hospitalar.

