Desenrola 3.0: governo lança nova fase com compra de dívidas pela União

Governo lança Desenrola 3.0 com compra de dívidas pela União em leilões. Programa visa beneficiar 15 milhões de pessoas com descontos de até 90%.
Desenrola 3.0: governo lança nova fase com compra de dívidas pela União
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O governo federal oficializou nesta sexta-feira (25) o lançamento da terceira fase do programa de renegociação de dívidas, denominado Desenrola Brasil 3.0. A iniciativa, formalizada por meio de medida provisória, introduz um mecanismo inédito no qual a União passa a atuar diretamente na compra de carteiras de dívidas inadimplentes através de leilões, visando ampliar o alcance da regularização financeira para milhões de brasileiros.

A estratégia central desta etapa consiste em repassar integralmente ao devedor o desconto obtido pelo governo durante a aquisição desses ativos. Com essa medida, a gestão federal busca reduzir o estoque de inadimplência no país, oferecendo condições facilitadas para que cidadãos negativados recuperem o crédito e organizem sua vida financeira. A medida altera a Lei nº 14.690/2023, que fundamentou as edições anteriores do programa.

Mecânica de leilões e critérios de elegibilidade

O programa estabelece que poderão ser adquiridas carteiras de dívidas bancárias e não bancárias com valor original de até R$ 10 mil. Para serem elegíveis, os débitos devem apresentar um período de inadimplência superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, abrangendo um intervalo de aproximadamente dois a quatro anos e meio de atraso.

Nos leilões, os credores deverão ofertar a totalidade dos créditos elegíveis de cada devedor, sendo vedada a seleção parcial de dívidas. As propostas serão classificadas conforme o maior desconto oferecido, com um patamar mínimo de 90% de deságio. O saldo remanescente poderá ser quitado à vista ou parcelado, conforme diretrizes que serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Impacto esperado e alcance social

A estimativa oficial aponta que até R$ 150 bilhões em dívidas podem ser elegíveis para a compra pela União. Considerando a adesão de credores e devedores, o governo projeta a renegociação efetiva de R$ 75 bilhões, o que beneficiaria cerca de 15 milhões de pessoas. Instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão atuar na operação, inclusive por meio de fundos de investimento.

Dados do Tesouro Nacional revelam a dimensão do desafio: em agosto deste ano, o estoque de dívidas inadimplidas com até cinco anos de atraso atingia R$ 592 bilhões. O cenário envolve 83,9 milhões de pessoas negativadas, com uma média de quatro dívidas por CPF e um valor médio de R$ 7 mil por pessoa. Deste montante, 55% referem-se a dívidas não bancárias, como contas de consumo e débitos no varejo.

Cronograma de implementação e histórico

O Desenrola 3.0 dá continuidade a um histórico de renegociações que, segundo o governo, já alcançou 25 milhões de pessoas nas duas fases anteriores. A primeira etapa registrou 8 milhões de operações, enquanto a segunda contabilizou 5,5 milhões, totalizando R$ 75 bilhões em dívidas renegociadas anteriormente.

O cronograma para esta nova fase prevê a publicação do chamamento para entrega de propostas em novembro de 2026, com a entrega efetiva pelos credores em dezembro. A homologação das propostas ocorrerá em janeiro de 2027, e a assinatura dos contratos, com o início do repasse do deságio aos devedores, está prevista para fevereiro de 2027.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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