O esporte como política pública ocupa espaço nos planos de governo dos candidatos que disputam o segundo turno para a Presidência da República. A relação do tema com a educação é mencionada por ambos, mas as divergências se acentuam nas propostas ligadas à infraestrutura, na gestão de equipamentos e na abordagem dada ao esporte feminino.
Enquanto as diretrizes federais buscam estruturar o setor sob diferentes óticas, entidades e especialistas acompanham as promessas para o ciclo que se aproxima. A exclusão das atletas transexuais é a única menção direta ao esporte feminino no programa de Flávio Bolsonaro, contrastando com o projeto de Lula, que destaca o protagonismo feminino e a realização de eventos de grande porte.
Cidadania, juventude e transformação social
Os dois candidatos relacionam o esporte à cidadania, mas partindo de pressupostos conceituais distintos. Flávio Bolsonaro destaca a relação da prática com a educação e a segurança dos jovens, enxergando a atividade quase como uma tecnologia social para afastar os jovens das ruas. O programa aponta que a modalidade auxilia no aprendizado que a sala de aula sozinha não supre.
Por outro lado, Lula atribui ao esporte a condição de vetor de transformação social e expressão da cultura nacional. A área é tratada de forma análoga à cultura e inserida no contexto da economia criativa. O objetivo declarado é gerar trabalho, renda, inovação e pertencimento em todos os territórios brasileiros, integrando o desenvolvimento humano e a inclusão social.
A relação entre esporte e educação nas propostas
Flávio Bolsonaro dá forte destaque à conexão entre esporte e educação, propondo a abertura de escolas nos períodos de recesso por meio do projeto Escola nas Férias para evitar a ociosidade infantil. O plano aponta a disciplina, a resiliência e o mérito como pilares para a formação de caráter e para a saúde mental dos jovens, embora não detalhe a execução prática da adesão.
A proposta de Lula não foca no ambiente escolar direto para essa finalidade, mas aposta na criação da Universidade do Esporte, aprovada na Câmara. A instituição surge como elemento central para estabelecer uma rede nacional de pesquisa, inovação e tecnologia, voltada para a capacitação de quadros técnicos e para a melhoria da gestão do esporte de alto rendimento no país.
Infraestrutura, bolsas e gestão de equipamentos
No campo do financiamento e suporte aos atletas, o programa de Flávio Bolsonaro menciona o aperfeiçoamento de bolsas esportivas para o alto rendimento em parceria com a iniciativa privada. No entanto, o texto não aborda o programa Bolsa Atleta. Já a proposta petista planeja a expansão de políticas estruturantes e a construção de arenas esportivas por meio do Novo PAC.
A gestão de equipamentos públicos e as parcerias também dividem os modelos apresentados. O plano de Lula aposta na articulação direta com estados, municípios e organizações sociais para gerir os espaços. Em contrapartida, as diretrizes de Flávio Bolsonaro privilegiam parcerias público-privadas e o envolvimento de clubes e universidades para fomentar competições e times escolares no contraturno.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



