A preocupação com os rumos do país e com os riscos para as instituições democráticas e para a educação, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, impulsionou a retomada das ruas pelo movimento estudantil. Milhares de estudantes têm promovido atos em diversas cidades para defender a democracia e a educação pública, além de se posicionar sobre os candidatos e suas propostas.
Em entrevista recente, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, destacou o protagonismo de universitários e secundaristas nos atos realizados pelo país. Ela recuperou a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos decisivos da política nacional, mencionando a luta contra a ditadura militar, as mobilizações por eleições diretas, o impeachment de Fernando Collor e a oposição ao governo de Jair Bolsonaro.
Contexto histórico e mobilizações pelo Brasil
O movimento estudantil contemporâneo resgata memórias de grandes lutas populares da história brasileira. Durante manifestações recentes, participantes e organizadores traçaram paralelos diretos com episódios marcantes do passado político nacional, enfatizando a importância da resistência contra o autoritarismo.
As assembleias universitárias rapidamente ganharam escala pública, transformando-se em atos de massa nas principais vias urbanas. A participação ativa de jovens e lideranças acadêmicas evidencia a disposição da juventude em ocupar o debate político nacional em um período considerado crítico para a soberania e para a manutenção dos direitos democráticos.
Desafios estruturais da educação pública
Além da conjuntura eleitoral, a dirigente apontou os desafios concretos enfrentados pelas universidades públicas brasileiras. Entre as principais pautas levantadas pelas entidades estão:
- O combate ao subfinanciamento crônico das instituições de ensino superior.
- A necessidade urgente de ampliar programas de assistência estudantil.
- A garantia de condições materiais para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos.
- A defesa da gratuidade e da excelência acadêmica nas universidades federais e estaduais.
A relação entre a defesa da democracia e a valorização da universidade pública é apontada como eixo central para assegurar a melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora. A organização coletiva permanece como ferramenta fundamental para transformar reivindicações sociais em direitos efetivos.
Decisão judicial sobre publicações nas redes sociais
No cenário jurídico recente, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido apresentado para barrar publicações nas redes sociais de dezenas de dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo a própria UNE.
A decisão garantiu a continuidade da livre expressão e manifestação das organizações no ambiente digital durante o período de campanha eleitoral, permitindo que as entidades mantenham suas campanhas informativas e de mobilização ativas em todo o território nacional.
Trajetória e perfil da liderança da UNE
Estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Bianca Borges assumiu a presidência da UNE para o mandato correspondente aos anos de 2025 a 2027. A trajetória da dirigente no movimento estudantil começou cedo, aos 14 anos, na Escola Técnica Estadual (Etec) de Praia Grande, onde ajudou a fundar um grêmio estudantil.
Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), ela acumulou experiências como coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP e diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto. Posteriormente, presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), liderando pautas de resistência contra propostas de privatização e militarização no ensino estadual.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

