O pleito de 2026 marca um recorde histórico na participação democrática brasileira, com quase 2 milhões de eleitores com deficiência aptos a exercer o voto. Apesar do avanço numérico, a experiência prática nas urnas revela que a infraestrutura ainda impõe obstáculos significativos para cidadãos com mobilidade reduzida ou outras limitações físicas. Relatos colhidos em diferentes zonas eleitorais do Rio de Janeiro evidenciam o descompasso entre a meta de inclusão e a realidade da acessibilidade nos locais de votação.
Desafios logísticos e falhas na infraestrutura
Para o eleitor Alexandre Prudente, cadeirante, o dia de votação transformou-se em uma jornada exaustiva. Após deslocar-se até a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o eleitor enfrentou rampas e elevadores apenas para descobrir que sua seção havia sido transferida. Sem conseguir confirmar a alteração online previamente, ele precisou percorrer 1,5 quilômetro adicional até a Igreja Metodista, em Vila Isabel, onde ainda aguardou uma hora na fila, apesar da prioridade garantida por lei.
A situação não foi isolada. No Colégio Estadual Senor Abravanel, na Zona Sul, a eleitora Isaura dos Santos, de 77 anos, relatou a ausência de elevadores e condições precárias de iluminação. A falta de adaptação básica em prédios públicos utilizados como seções eleitorais compromete a autonomia de idosos e pessoas com deficiência, forçando a dependência de terceiros para o acesso às salas de votação.
Avanços e limitações da Justiça Eleitoral
A Justiça Eleitoral reconhece a complexidade do cenário, destacando que o número de seções adaptadas saltou de 156,2 mil para 220,5 mil nos últimos anos. O órgão justifica que a dependência de imóveis de terceiros, como escolas públicas, dificulta a manutenção de padrões rígidos de acessibilidade, uma vez que as estruturas físicas desses prédios sofrem alterações ao longo do tempo.
Para mitigar as dificuldades, o sistema eleitoral oferece recursos específicos, como teclados em braile e dispositivos de áudio para eleitores com deficiência visual. Além disso, a legislação assegura a prioridade no atendimento e a possibilidade de acompanhamento na cabine de votação, visando garantir que o direito ao voto seja exercido, ainda que o suporte humano seja, muitas vezes, o fator determinante para o sucesso do processo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



